Ora, i cresci com dous galegos, eu (incomprensíbel) falar. Um deles foi Pepe, Pepe Dente d’Ouro.
Pepe Dente d’Ouro foi un refugiado que matou um guarda fiscal na maior loja de Castro Laboreiro, que fica ali a 50 metros do pelourinho.
I, Pepe Dente d’Ouro, Pepe Dente D’Ouro matou esse guarda fiscal, estiverom a comere, i saírom pa fora da, da taberna, desentenderom-se, i ele puxou de uma Mauser, i, i matou a sangue frio. I matou, i ninguém mexeu uma palha, porque (…) eram amigos, i o guarda que o denunciara. I el disse, se me denuncias mato-te (…) I matou mesmo. Os (mesmos) colegas dele não se meterom, não se meterom, tiverom medo dele, tiverom medo dele, i um dos grandes mistérios que eu tenho hoje em dia é saber onde é que para (…) Pepe Dente d’Ouro era um oficial, era um oficial da força aérea, consegui saber isso.
Um dos grandes fascínios é saber onde é que acabou Pepe,e Dente d’Ouro, se foi (incomprensíbel), se não foi, etcétera, etcétera.
A outra senhora era, era uma heroína também, na minha infancia ouviam-se histórias ao lume, que era Eudósia. Eudósia nasceu aqui mui próximo, do outro lado, à beira do, a,a, antes de Bande, Eudósia. E,e,e foi agarrada no lugar de [incomprensíbel], foi agarrada no lugar do [incomprensíbel], i foi presa pelo [incomprensíbel], i de ali passou a Lisboa, i de Lisboa passou a Marrocos, casou-se, cum francês, i (…) no ano passado conheci o filho dela, (…) veu a Castro Laboreiro i conhecemo-nos, i sempre foi um fascínio (…)
Eu vim à procura de Eudósia, e ela saiu no dia a seguir pa Franç/, saiu naquela manhã pa França. Eu cheguei aqui ao lugar dela, que agora não me lembro o nome, (…) é esse mesmo, essas primeiras fotografias (…) eu devo-as (…), quando vi essas primeiras fotografias já mui, mui grande, já há muitos anos, há para aí quinze anos ou vinte em que eu vi essas primeiras fotografias, o homem de Entrimo, Ángel Gallardo, e,e, tivemos um contacto e ele mostrou-me: essa mulher ensinou montes de pessoas de Castro, algumas ainda som vivas, com noventa anos, a escrever, e, ou seja, e,e, ela acabou por ser a professora, porque ela era professora, não é?, e acabou pore, por ser a ensinar.
Aliás, eu (incomprensíbel) ouvi dizer que o,o maior responsável da PIDE tinha-se apaixonado por ela, i tinha contribuido para ela safare, nom sei se é verdade nem se nom, nom tenho a certeza. (....)
Era guapa…
Autor/a da transcrición: e~xenio
PIDE. Polícia Internacional e de Defesa do Estado